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LÉO PAJEÚ
Poesias e Contos, Sentimentos e Versos, Sonhos e Visões de um Premonitor.
Textos


                        O ATAQUE DO LOBISOMEM           
                   
         O sítio de João Só ficava entre duas grandes fazendas, portanto o local onde se localizava o sítio era isolado e quase sempre João Só não recebia visitas. A casa de João Só ficava a beira de uma pequena estrada estreita que só passava vaqueiros e carro de boi com cuidado para não quebrar a roda, estas dificuldades acabavam isolando o sítio.
          João Só guardava esta mágoa e por isto se isolou de todo mundo, criava suas galinhas, patos, cabras, porcos e seus dois cachorros perdigueiros, sua vida era dedicada aos animais e o sítio que era mantido bem arrumado como se ali vivesse mais pessoas para cuidar.
          João Só mantinha-se alerta, seus cães eram bem tratados e valentes, sua casa era reforçada como se predissesse um ataque futuro de algo que não conhecesse. Dentro de sua casa reforçou seu quarto com portas e janelas feitas de madeira de lei, trincos e fechaduras muito difíceis de serem arrancadas ou quebradas, mantinha suas armas municiadas e prontas para combater quem viesse atacar de dia ou de noite. Os poucos visitantes que teve perpetraram comentários de sua fortaleza e estes comentários fizeram com que os vizinhos ficassem mais distantes de João Só.
     - João Só! João Só! Bom dia gostaria de trocar umas palavras com o senhor, pode me atender? – Disse Pedro Beato como era conhecido na região em voz alta e tom grave.
         O silêncio foi interrompido bruscamente quando João Só abriu a porta devagar provocando um barulho característico de uma porta rude e pesada. Um cano de uma espingarda começou a aparecer na porta entreaberta, depois o pé de quem carregava a arma, a porta se abriu por completa e a arma foi apontada em direção a Pedro Beato que devagar ergueu seus braços demonstrando que estava ali em paz. João Só ficou de frente de Pedro Beato, aferiu seus movimentos e perguntou:
– Disse João Só com voz firme e tom de desagravo.
          João Só ficou parado e pensando por um instante, mas a arma continuava apontada esperando algum movimento brusco de Pedro Beato que não ocorreu. João Só baixou a espingarda devagar, colocou a coronha em cima de sua bota e fez um gesto com a mão para que o Pedro Beato se aproximasse. Pedro Beato já próximo de João Só estendeu a mão para cumprimenta-lo e foi atendido prontamente. João Só ainda meio desconfiado solicitou que Pedro Beato entrasse para conversar melhor.
     - Eu fui seminarista e agora procuro responder perguntas sobre fatos que ocorrem aqui no sertão, acontecimentos inexplicáveis e tidos como sobrenaturais contados por sertanejos viajantes e pessoas que carregam o medo em suas faces por ter visto assombrações e vultos que causam pavor e desconhecimentos. – Disse Pedro Beato narrando um pouco de sua história.
! – Disse João Só querendo uma explicação convincente.
– Disse Pedro Beato confiante de sua observação feita ao chegar à casa de João Só, certo de que ele sabia sobre o fato ocorrido ou desconfiava de algo.
     - O senhor pode descrever este vulto, contar algum detalhe que possa melhorar meu entendimento do ocorrido. – Disse Pedro Beato querendo completar seu pensamento do ocorrido com a esposa do João Só.
     - Isto era o que eu imaginava, as características apontam para o que eu temia isto vem ocorrendo nesta região há muito tempo e todos culpam a onça, mas tenho certeza que se trata do lobisomem. – Disse Pedro Beato convencido de que se tratava do ele procurava naquela região.
– Disse João Só sobre os fatos que vem acompanhando nos últimos tempos.
– Disse Pedro Beato preocupado com a noite que vinha devagar reforçando as sombras da mata.
    - Vou ficar com o Senhor e lutar com esta fera, seja ela lobisomem, onça, o que for, estou estudando estes fenômenos e quero ter certeza do que se trata. – Disse Pedro Beato convicto de sua parceria com João Só.
     - Morrerei com o Senhor, pois não tenho medo, minha sina é desvendar os mistérios deste sertão e amenizar o pavor deste povo que a noite se esconde com medo de histórias contadas sem respostas. – Disse Pedro Beato certo de sua missão no sertão.
– Disse João Só convidado Pedro Beato para sua fortaleza.
         A lua cheia surgia no céu, majestosa e aquém do que podia acontecer na terra neste dia, naquele lugar. Seus raios de prata começavam a fluir entre as copas da arvores tentando chegar ao chão. Na janela do quarto um fio de luz passava em uma fresta riscando o quarto no meio e dividindo a luz do candeeiro de João Só.
         Os cães começaram a rosnar como se alguém estivesse se aproximando da casa. O resto dos animais ficou inquieto e barulhento, os pássaros noturnos pareciam que tinham recebido ordem da rasga-mortalha para voltar a aterrorizar a mata com seu gritos e cantos penosos.
          O latido dos cachorros ficou mais intenso, os outros animais tentavam fugir na noite sem rumo, tudo estava sem controle. João Só empunhou sua espingarda com firmeza se preparando para uma batalha desigual. Pedro Beato começou a rezar e empunhou um punhal brilhante que refletia a luz da lua jogando pequenos pontos de claridade nos cantos do quarto em meia escuridão.
        Pedro Beato estava diante de algo que nunca tinha presenciado, mas a confirmação do que realmente era poderia ser fatal e isto talvez não chegasse ao conhecimento do povo como fato verdadeiro, pois sua vida estava em perigo. João Só estava disposto a lutar até a morte para vingar sua esposa e provar pra todo mundo que o que tinha falado tinha sentido, não se tratava de uma visão ou loucura como povo da região comentava.
         A grande fera derrubou a porta com violência, o quarto meio escuro revelava em cada canto um aguerrido preparado para luta brutal. João Só disparou o primeiro tiro sem dor e piedade acertando o peito da grande fera que recuou um pouco dando um passo para trás. Pedro Beato se conteve aguardando o segundo disparo de João Só para poder atacar com seu punhal dando um golpe fatal.
          Pedro Beato se aproximou dos dois corpos convencido que tinham matado um lobisomem e agora podia provar sua existência. Primeiro afastou o corpo de João Só verificando se estava com vida, este sangrando pronunciava palavras de satisfação por ter vingado a morte de sua mulher e desfaleceu lentamente chegando à morte fatal, expressando o sorriso no rosto de contentamento. Pedro Beato viu que não havia o que fazer então pegou o candeeiro para clarear e ver melhor o corpo do lobisomem, a luz foi mostrando o corpo da fera enquanto era percorrido por toda sua extensão. Ao aproximar melhor a luz do candeeiro Pedro Beato começou a perceber que a fera começava a se transformar em um homem comum, agora não tinha como provar o acontecido e mesmo contando sua história ninguém iria acreditar sem provas concretas. As feridas feitas com o punhal e chumbos de prata transformava novamente a fera em homem e nada ficava de prova a não serem as mortes dos animais, de João Só e todo estrago feito durante a luta brutal.
seu punhal de prata, ajustou seu crucifixo no peito, bateu suas roupas limpando o pó daquela luta imprevisível e partiu na busca de outros mistérios do sertão.
 

Léo Pajeú
Enviado por Léo Pajeú em 23/06/2011
Alterado em 27/05/2013
Copyright © 2011. Todos os direitos reservados.
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