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LÉO PAJEÚ
Poesias e Contos, Sentimentos e Versos, Sonhos e Visões de um Premonitor.
Textos


A ARATACA, A COBRA, O NHAMBU, O PREÁ E A URNA
 
         A natureza como todo mundo sabe é cheia de predadores e presas, seja por necessidade de alimento para sobrevivência ou apenas por crueldade feito o bicho homem que muitas vezes mata por matar, mas sempre somos um ou outro.
        O sertão! Meu amigo o sertão muita gente não conhece, mas a fome do sertanejo nem se compara com outras fomes, por que a seca quando vem é duradoura e ai o bicho político que controla o bicho trabalhador e explora sua glória, sua honra o deixa acuado, sem ter provisões para comer. A única saída é se tornar um predador dos animais em extinção do sertão.
         João vendo sua família em situação desesperada vai procurar uma solução, mas a ração doada pelo bicho político demora a chegar. João não desiste e procura outra solução. Andando meio sem rumo João encontra um velho senhor que com sua experiência ensina João a fazer uma arataca para pegar preás. João empolgado chega a sua casa e vai logo seguindo as orientações do velho senhor, a família estranha, mas João segue construindo seu novo invento.
          No dia seguinte João procura a trilha de preá para armar sua arataca como o velho senhor ensinou convencido que acabaria com fome de sua família pegando preá em sua armadilha. A arataca foi montada e armada no ponto certo, agora era só aguardar o dia seguinte quando os preás fossem procurar comida e pronto, os pegaria em sua engenhoca.
        A manhã chegou com um sol costumeiro, encarnado e pronto para derreter aquele imenso sertão abandonado pelos bichos políticos. De suas tocas e esconderijos saíram à cobra, o nhambu e o preá em busca de alimentos para seus sustentos.
         A cobra com sua fama de predadora percorre todas as trilhas para tentar pegar sua presa, em sua arrogância não percebe a arataca e cai dentro ficando presa, suas tentativas são em vão, não consegue sair e começa a pensar:
     - E agora o que vou fazer, aqui eu vou morrer de fome, pois não consigo sair e não posso caçar como vou sobreviver.
         O tempo passa quando a cobra se assusta com um barulho vindo de cima para baixo escurecendo tudo. A sorte lhe sorriu por que caiu justamente em cima dela um nhambu que desesperado debate-se contra as paredes do buraco, mas não consegue sair.
          Diante da situação desesperada a cobra pensa novamente:
     - Minha refeição caiu do céu.
     - O nhambu aflito pensa:
     - Que azar fui logo cair em um buraco que não posso sair e ainda tem uma cobra para me devorar.
         O nhambu vendo que a situação estava preta faz uma proposta:
     - Dona cobra antes de me devorar tenho uma proposta para lhe fazer. Vejo que está presa neste buraco assim como eu e com certeza também não consegue sair, quem sabe eu com minhas patas e minhas asas não possa tirar a gente deste buraco.  – Pensa rápido o nhambu.
         A cobra com seu bote preparado repensa sua investida e escuta o que o nhambu tem a dizer.
     - Bem estou ouvindo, ande logo que meu bucho está rocando, se não me convencer vou comer você. – Diz a cobra com um olhar rígido.
     - Tudo bem! Tudo bem! Se acalme dona cobra que vou explicar. – Diz o nhambu pensando rápido em uma estratégia para se salvar.
         O nhambu começou a explicar bem devagar para ganhar tempo:
    - Olha dona cobra o plano é o seguinte, a senhora que é mais comprida vai servir de escada para que eu saia do buraco ai então eu com minhas patas cavo em volta da arataca fazendo um buraco para a senhora também sair.
         A cobra ficou desconfiada, mas depois de um tempo aceitou a proposta e junto com o nhambu começou a executar o plano. Quando começou a erguer o nhambu o qual já estava no meio do buraco tudo escurece novamente e um corpo vem caindo de cima para baixo levando-os novamente para o fundo.
         A cobra irritada começou a chacoalhar seu rabo de cascavel e o nhambu de cabeça para baixo arrumando suas asas e penas começa reclamar:
     - O que aconteceu, já estava quase saindo do buraco, já estava pensando na carreira que ia dar na caatinga para fugir de dona cobra agora vem um imbecil e cai em cima de mim.
         O preá meio zonzo balança a cabeça, abre os olhos bem devagar e em um pulo encosta na parede do buraco e começa a tremer de medo ao ver uma cobra cascavel presa junto com ele.
     - Não tenha medo meu amigo! Estamos na mesma situação que você, só que estávamos quase saindo quando você desceu buraco abaixo. – Diz o nhambu tentando conversar com o preá.
     - Desculpe, eu não vi a armadilha e acabei caindo, agora o que faremos? – Diz o preá ainda assustado.
     - Bem, vocês eu não sei, mas eu vou fazer uma dupla refeição e dormir neste buraco por uns dias. – Diz a cobra passando a língua em sua boca.
     - Dona cobra não faça uma besteira desta, agora que somos três poderemos sair com facilidade, pense nisto antes de fazer besteira. – Diz o nhambu tentando convencer a cobra.
     - É dona cobra o nhambu tem razão, teremos mais chance juntos apesar de nossas diferenças. – Diz o preá entendendo o que o nhambu queria aprontar.
     - Então qual vai ser o plano agora, por que o outro não chegou nem o meio do buraco. – Diz a cobra agora mais calma.
     - Eu ainda estou pensando, já arrumo uma forma de sair. – Diz o nhambu tentando ganhar tempo.
         Quando os três menos esperavam a tampa da arataca se abriu e uma luz começou a iluminar o buraco que foi ficando cada vez mais claro, mas junto com a luz vinha um filete de escuridão que foi se multiplicando por cinco até chegar e pegar a cobra que prevendo que iria sair ficou quieta até ser levada para fora. A tampa foi fechada novamente frustrando o nhambu e o preá que ficaram quietos.
          João quando olhou melhor o que tinha pegado em sua mão jogou-a sobre os marmeleiros e falou alguns palavrões:
     - Cobra da peste, quase me picou e pensei que era um preá, que susto danado.
          A cobra cascavel quando chegou ao chão não pensou duas vezes e saiu deslizando pelo chão do torrado sertão se embrenhando na caatinga sem olhar para trás.
         João abriu a arataca e viu que tinha mais alguma coisa. O nhambu esperto fingiu que estava morto. O preá não pensou duas vezes e segui a ideia do nhambu e também se fingiu de morto.
         João tirou os dois do buraco e continuou a xingar a cobra que além de cair no buraco, matou o preá e o nhambu e não comeu, só os envenenou, que cobra maldita agora aquela carne não servia para nada.
         João ainda reclamando coloca o preá e o nhambu no chão e em um piscar de olhos os dois levantam e fogem em disparada levantando a poeira seca da caatinga do sertão.
         João desolado vai para casa pensando no acontecido e teve a seguinte conclusão, pois no dia seguinte era dia de eleição.
         Olha como a coisa é engraçada este acontecido está parecendo com eleição. Vêm uns e colocam as armadilhas (urnas), alguns caem sem querer e outros sem intenção, acabamos caindo todos na mesma armadilha e sendo preso pelo mesmo patrão.
        Alguns são como as cobras ficam quietas alimentando seu veneno, outros são como o nhambu e o preá, fingem-se de morto para continuar vivo, dependendo da sorte que o dia a dia trás.
         Moral de a história atuar em nosso país é atitude que não precisa de laboratório todo mundo nasce autodidata, até os irracionais.
        
Léo Pajeú
Enviado por Léo Pajeú em 03/04/2012
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