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LÉO PAJEÚ
Poesias e Contos, Sentimentos e Versos, Sonhos e Visões de um Premonitor.
Textos


DIÁRIO DE UM BRASILEIRO
 
A Vida como não deveria ser, mas é?
 
A EXECUÇÃO SUMÁRIA
 
         Seu Antônio chegou muito novo ao morro em busca de um sustento vindo do sertão, deixou para trás a seca e a fome. Depois de muitos anos tinha trabalhado de tudo, até chegar à atual profissão que exercia com gosto, depois de fazer cursos e se tornar técnico em refrigeração. Seu Antônio nestes anos todos havia casado, tinha três filhos, a filha Tereza, formada em pedagogia, ministrava aula em uma escola estadual, o Filho Tiago, terminando administração, trabalhando em uma empresa de alimentos, sonhando com um melhor cargo e salário, e Tomás nome este escolhido por causa de seu irmão gêmeo que morreu no parto por problemas de saúde. Tomás foi uma criança tranquila, mas na adolescência seu comportamento tomou rumos que deixou seu Antônio muito preocupado, pois seu sonho era formar seus filhos, coisa que não teve oportunidade, muito menos sua esposa que teve que trabalhar duro para sustentar a família. Tomás em sua adolescência deu muito trabalho, não se sabe por influência de amigos ou por outra razão que a família nunca descobriu. Mas hoje seu Antônio estava revertendo à situação, depois de muita luta conseguiu tirar Tomás das ruas, do delito e trazê-lo para trabalhar consigo como ajudante em seu trabalho diário atendendo clientes na manutenção e consertos no setor de refrigeração. Seu Antônio tinha bons equipamentos que carregava em uma maleta apropriada para sua função. Hoje tinha compromisso logo cedo e depois de tomar um café com Tomás antes de sair para cumprir suas tarefas lhe recomendou. Tomás vai à frente e me aguarda na parada do ônibus enquanto vou falar com sua mãe. Seu Antônio ficou observando enquanto Tomás ganhava a rua, naquele momento ficou feliz ao vê seu filho atendendo seu pedido e seguindo um novo rumo em sua vida, agora para melhor. Era muito cedo, a ruela ainda estava meio escuro enquanto Tomás descia o morro em direção à parada de ônibus. Apesar de muito cedo o movimento estava intenso, um corre pra lá e pra cá, alguma coisa estava acontecendo naquela manhã que deixou Tomás meio tenso. Após dobrar uma esquina Tomás se deparou com quatro policiais armados e apontando em sua direção. O policial de maior patente ordenou que Tomás largasse sua mochila e a pequena maleta com os equipamentos de seu Antônio no chão. Tomás com muita calma o fez. O policial não satisfeito ordenou que Tomás abrisse a mochila e a maleta. Tomás abriu bem devagar a mochila enquanto algumas pessoas que passavam no local o observavam. As armas continuavam apontadas enquanto Tomás tentava explicar que trabalhava com seu pai que estava vinda logo atrás. O policial de maior patente não quis explicações, foi logo avisando, estamos procurando um assassino de um dos nossos colegas e tua descrição encaixa direitinho negrinho safado. Tomás percebendo que se tratava de uma vingança o qual conheceu muito bem durante suas andanças na rua, foi logo tentando ficar mais calmo e explicar que não devia mais nada a justiça e que agora estava trabalhando com seu pai, refazendo sua vida. O policial percebendo que Tomás já tinha passagem pela polícia foi logo o provocando com palavras chulas ditas por policiais quando querem uma desforra com ex-presidiário. Tomás permaneceu quieto apesar das provocações. O policial de maior patente já irritado com a tranquilidade de Tomás e ainda não satisfeito ordenou que abrisse a maleta e fosse tirando as ferramentas bem devagar. Tomás obedeceu e foi colocando de lado cada ferramenta que tirava. Quando Tomás percebeu que parafusadeira era muito parecida com uma arma recuou um pouco, o policial percebeu e com voz alto ordenou que tirasse esta ultima ferramenta. Os policiais apontando as armas ficaram atentos. Quando Tomás pegou a parafusadeira e colocou para fora da maleta o policial de maior patente gritou, é uma arma, mete bala nesse negrinho, ele vai nos matar. Neste instante os tiros ensurdeceram que estava ali por perto, uma leve fumaça com cheiro de pólvora percorreu as ruelas da favela enquanto todos corriam deixando-as vazias. Tomás após receber os tiros foi caindo bem devagar sobre as ferramentas da maleta. Quem viu a execução covarde e desnecessária foi saindo para seus destinos sem falar ou expressar qualquer reação. Após algum tempo o policial de maior patente percebendo que fez justiça cega, fica nervoso e logo puxa uma pistola de sua cintura, se dirige até o corpo ensanguentado, perfurado e estendido no pé do muro da favela, coloca na mão de Tomás e afasta a parafusadeira para longe querendo forjar uma reação do jovem tendo isso como justificativa para a execução.  Seu Antônio quando houve os disparos sente uma dor no peito e sem falar nada corre em direção à parada de ônibus torcendo para que aquela dor seja apenas uma sensação e não uma realidade que pressentiu muito tempo quando Tomás andava pela rua em más companhias. O cheiro de pólvora percorreu suas narinas quando se aproximava do local onde algumas pessoas rodeavam um acontecimento. Seu Antônio sentiu um calafrio e mesmo assim não podia acreditar que havia acontecido alguma coisa com seu filho. As pessoas foram abrindo caminho enquanto seu Antônio se aproximava do corpo que agora estava coberto pelo um lençol branco confirmando que ali já não havia vida. Os olhares das pessoas começavam a revelar o que seu Antônio temia, vê seu filho ali estendido no chão, executado daquela forma. O policial de maior patente vendo seu Antônio se aproximando foi logo o guiando para reconhecimento do corpo que ali estava estendido. Seu Antônio levantou a ponta do lençol e confirmou a pior coisa que um pai poderia, ali era seu filho morto e não podia fazer nada, nem mesmo saber por que foi morto, pois os policiais apontavam a arma em sua mão. As lágrimas que seu Antônio guardou durante tanto tempo agora escorria em seu rosto enquanto de joelho acariciava o corpo ensanguentado de seu filho.
As pessoas foram se afastando aos poucos do local, permanecendo ali apenas a cena que vemos todos os dias na TV enquanto um jornalista policial para manter sua audiência transforma aquilo em um drama de comoção nacional.
 
Léo Pajeú
Enviado por Léo Pajeú em 01/06/2013
Alterado em 23/11/2018
Copyright © 2013. Todos os direitos reservados.
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