LÉO PAJEÚ
Poesias e Contos, Sentimentos e Versos, Sonhos e Visões de um Premonitor.
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TODO PENSAMENTO, É TORTO OU FAZ CURVA?
 

TODO PENSAMENTO, É TORTO OU FAZ CURVA?
 
 
          O tempo vai passando, as mudanças são contínuas, as dificuldades quando criança que vai até a adolescência, é um fato comum no Brasil. Todo adolescente antes dos anos oitenta tinha que trabalhar e estudar, a vida era dura, quanto adulto logo vem um trabalho e um casamento, isso é rotina. Mas essa rotina continua e vem os filhos que depois dos anos noventa tem exclusividade nos estudos, vão crescendo e também começam a procurar sua vida, como pássaros que aprendem a voar e vão para outras paragens. Essa fase também no ser humano, para algumas pessoas não é bem aceita, alguns não querem ficar longe dos filhos, outros ficam com algum estresse, que acaba virando um problema psicológico.
          Francisco, cidadão que veio lá dos confins do Nordeste, que casou com Luiza, também nordestina passam por essa situação. O filho mais velho se formou, arrumou um emprego e se casou, deixando seus pais. O filho do meio acabou seguindo o irmão mais velho, e fez a mesma coisa. Isso foi deixando o casal com um pouco de aflição, de repente perde dois filhos, isso não nem justo, pois não perderam, eles não morreram, apenas não estão morando em suas companhias, mas para o casal, é essa a impressão que dá, de que morreram, por que a tristeza começou a bater em sua casa, quando chegam e não tem notícias de seus filhos, isso dar um nó no coração.
          Mas, a trancos e barrancos a vida tem que continuar pensando nisso, Francisco entrou em contato com algum parente em sua terra natal, esse alegremente prometeu que vinha em viajem o visitar. Francisco logo fez umas encomendas de coisas de sua terra para matar a saudade. Juvenal chegou trazendo suas encomendas, umas rapaduras, carne seca, peixe seco, farinha, umas lambus fritas na manteiga de garrafa com farinha, coentro e bem apimentadinhas, e claro umas garrafas de pinga, daquelas feitas no alambique da cana caiana. Aproveitando que Luiza não estava em casa, Francisco foi logo esconder as garrafas de pinga no galinheiro, o qual tinha feito depois da ausência de seus filhos, era para tentar entreter a mente e diminuir a tristeza.
          O primo Juvenal ficou alguns dias, durante esse tempo só ouvia lamentos, cada um contava sua história da perca dos filhos, pareciam desolados. Juvenal apenas deu-lhes uns conselhos e partiu para o sertão, deixando o casal com seus lamentos. Cada dia mais distantes, Francisco e Luiza iam levando a vida, mas essa distância começava a levantar suspeitas, a mente humana é incrível e se tratando de uma mente feminina, a ideia flui, os pensamentos criam histórias e vagam por todos os confins do universo na velocidade da luz.
          Sem comparecer mais com suas obrigações corriqueiras, no qual é comum em um casal, Francisco colocou sua capacidade de homem macho em questão. Era raro uma obrigação em um mês, isso colocou a pulga e o percevejo para coçar a cabeça de Luiza sem parar, saiam para trabalhar, cada um ficava em seu trabalho, e quando chegavam, cada um ia cuidar de seus afazeres da pequena chácara. Luiza cuidava da casa e Francisco ia cuidar de algumas coisas da pequena chácara, isso foi virando rotina, mas cada um tinha um tempo para suas obrigações, esse tempo foi sendo observado por Luiza, que percebeu e achou estranho, pois Francisco estava demorando mais que o normal de uns tempos para cá.
          Com a pulga e o percevejo, um atrás de cada orelha, Luiza começou à observar as atitudes de Francisco, logo percebeu que ele fazia umas coisas mais rápido e acabava demorando muito mais no galinheiro. Isso foi enchendo sua cabaça de pensamentos e imagens trazidas do sertão, terra de muitos costumes e tradições, mas não tinha em mente as coisas boas da nação nordestina não, em sua mente fluía coisas ruins, aquelas contadas por amigos e amigas em piadas, mas que todo mundo sabe que no fundo tem um pouco de verdade.
          Sua observação agora ficou mais criteriosa, também terminava suas tarefas mais rápido, isso sobrava tempo para ficar de olho nas atitudes de Francisco. Logo percebeu que quando Francisco entrava no galinheiro, antes de entrar ele olhava atentamente para um lado e para outro, como se tivesse receio de alguém vê-lo entrando. Isso foi a gota d'água, sua cabeça girou e todos os pensamentos e imagens da leviandade se apoderaram de sua mente. Imaginou, como pode um homem dessa idade, deixando a mulher e a trocando por galinhas, isso é o fim do mundo, logo ele, um ser religioso, não perde uma missa, ainda participa de grupos religiosos, só pode estar com o cão em seu corpo, isso eu não tenho nem como contar para alguém, como vou viver com uma situação dessa.
          Passou-se um tempo, seu semblante ficou sério, ninguém mais a reconhecia, amigos e parentes tentavam arrancar alguma coisa, mas de nada adiantava, não falava nada, tinha mudado completamente seu comportamento. Isso levou tempo, seu coração corroía, sua vida tinha se perdido no tempo. Todo dia observava Francisco entrando no galinheiro e percebia que cada vez mais ele demorava. Um certo dia Luiza não aguentou mais, e depois de algum tempo que Francisco entrou no galinheiro, ela entrou de surpresa, para seu espanto pegou seu marido com a última garrafa de pinga e um pequeno copo com uma dose na mão, este sem muito espanto falou:
     - Agora só tem esse gole, prometi não beber mais, mas não resisti ao apagar da luz de uma parte do meu coração.
          Luiza com os olhos cheios de lágrimas pegou o pequeno copo, bebeu um gole e com um a voz rouca que anunciava o choro, falou:
      - Se soubesse que você tinha essas pingas aqui, não tinha deixado beber todas e chorar sozinho.
 
Noël Semog
 
Léo Pajeú
Enviado por Léo Pajeú em 15/07/2016
Alterado em 24/07/2016

Música: B06. Último Pau-de-arara - Artista(s): Fagner

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