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O SALTO
Não cabe o infinito
dentro do carrinho de compras.
A prateleira reluz,
mas o estômago continua avesso.
O que acalma a fome de ser
não vem com código de barras,
não se parcela em dez vezes
e nem entrega em domicílio.
O vazio pede cor,
pede o abraço demorado na calçada,
a risada alta que atravessa a rua,
o verso rabiscado no guardanapo,
a lucidez de quem aprendeu
que ser é muito mais do que ter.

OS SINAIS?