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A NOVA URGÊNCIA
Quando a gente é jovem,
o tempo tem a espessura do mar.
A gente gasta os dias como quem tem pressa de chegar em lugar nenhum,
esbanja horas na esquina,
joga conversas fora,
acredita que o amanhã é um poço sem fundo.
Mas os anos passam,
levemente,
como o vento que desfolha o calendário.
De repente,
a gente descobre que o relógio não perdoa.
E, o que antes era tédio vira urgência.
O café tomado na varanda ganha gosto de eternidade.
O abraço dura um segundo a mais.
O sol da manhã já não é só luz,
é um presente que não tem garantia de bis.
Envelhecer é isso:
ganhar a lucidez dos que sabem
que a vida é um sopro belo,
único
e ferozmente passageiro.

OS SINAIS?