@leopajeuleobargomescritores @leobargom @leopajeu
A moeda mais rara
Há uma urgência bonita no passo de quem já viu muitas primaveras irem embora. Quando somos jovens, tratamos o tempo como um herdeiro pródigo trata uma fortuna imensa: gastamos sem olhar o extrato, certos de que o cofre jamais terá fundo. Adiamos o abraço, empurramos o sonho para o próximo ano, dizemos "depois a gente se vê" como se o relógio fosse um servo obediente à nossa vontade.
Com o passar dos anos, contudo, o tom muda. A velhice traz consigo uma clareza quase dolorosa, mas profundamente libertadora. Quem envelhece percebe que o tempo não é uma linha infinita, mas um espaço delimitado. É justamente essa consciência do fim que devolve às coisas o seu peso real.
O café da manhã deixa de ser um ritual mecânico para virar um pequeno milagre diário. A conversa com um amigo ganha a atenção inteira, sem a distração das telas ou da pressa. O som da chuva na janela, o cheiro do pão assando, o canto breve de um pássaro no quintal, tudo recupera a densidade que a correria da juventude nos impediu de notar.
O tempo é, de fato, o senhor de tudo. Mas ele só revela o seu verdadeiro valor para quem aprende a olhar para trás e compreende que o presente é o único lugar onde a vida, de fato, acontece. No fim das contas, envelhecer não é perder o vigor, mas ganhar a sabedoria de amar o instante.

OS SINAIS?