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Tempo Estilhaçado
Deixamos pedaços de nós nas esquinas do tempo.
Versões inteiras que amaram o que hoje nos causa tédio,
que escolheram a estrada da direita quando o destino exigia o norte.
Algumas morreram à míngua, sem direito a luto ou vela, soterradas sob a poeira de escolhas definitivas.
Outras escaparam pela tangente, viveram vidas paralelas em sonhos que nunca contamos a ninguém.
E nós?
Nós, os sobreviventes do próprio naufrágio, ficamos aqui.
Convivendo com as inversões: o que era certeza virou dúvida, o que era ferida virou cicatriz lustrosa.
Carregamos o museu invisível de quem poderíamos ter sido, esbarrando nesses fantasmas familiares todas as vezes que olhamos para as mãos e perguntamos de quem é este anel, de quem é esta voz que ainda insiste em cantar.

OS SINAIS?