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Fantasmas de Papel
Nós construímos muralhas
com o pó dos dias que ainda não vieram.
O monstro que habita a esquina
tem o tamanho exato da nossa inércia.
Na tela branca do futuro,
a imaginação capricha nos detalhes:
pinta tempestades onde soprava apenas uma brisa.
Esperamos o momento perfeito,
essa estação fantasma que nunca chega,
enquanto o abismo se alarga
apenas porque escolhemos olhar para ele
com os olhos da paralisia.
O primeiro passo é um intruso silencioso.
Ele não pede licença à perfeição;
ele apenas desfaz, com o simples toque do movimento,
o feitiço da profecia que dizia:
“Você não pode passar.”

OS SINAIS?