@leopajeuleobargomescritores @leobargom @leopajeu
O Monstro que Morreu de Fome
A gente passa boa parte da vida lutando contra dragões que só existem no cartaz do cinema da nossa cabeça.
Lembro-me de uma tarde em que precisei tomar uma decisão que parecia monumental. O projeto exigia que eu desse o primeiro passo rumo ao desconhecido. No entanto, o meu cérebro, especialista em dramaturgia, transformou um simples e-mail de contato em uma muralha de Berlim. Fiquei dias paralisado pela análise. Ponderei os riscos climáticos, a lua minguante, o tom exato das palavras. O problema, antes prático, virou um abismo intransponível.
É curioso como a mente humana opera quando decide nos sabotar. Ela pega um obstáculo do tamanho de um grão de areia e, com o microscópio do medo, o transforma em uma cordilheira. É a profecia autorrealizável em seu estágio mais cruel: acreditamos tanto que é difícil demais que nos recusamos a tentar, garantindo, assim, o fracasso por antecipação.
O alívio só veio quando percebi a armadilha. A verdade é que o medo precisa da nossa imobilidade para sobreviver. Ele se alimenta de suspense. No momento exato em que decidi agir, em que o primeiro passo foi dado, desajeitado e sem glamour, o monstro colossal desinchou, virando o que sempre foi: um simples rascunho.
No fim das contas, a realidade é quase sempre muito mais branda do que o trailer que a nossa ansiedade insiste em passar.

OS SINAIS?