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O Ofício de Ser o Inconveniente da Sala
Há dias em que a lucidez pesa mais do que deveria. Na política social de hoje, apontar o óbvio tornou-se um ato de subversão perigoso. Quando você diz, com números, fatos e lógica, que a promessa é oca e que a engrenagem social mói em vez de acolher, a reação não é o debate. É o exílio moral.
Chamam-nos de loucos, radicais, pessimistas ou desmancha-prazeres. É mais confortável rotular o mensageiro do que consertar a mensagem. Afinal, admitir que o rei está nu obriga todo mundo a olhar para a própria nudez e cumplicidade.
O grande dilema de quem alerta é este: o eco da sua própria voz soa cada vez mais solitário. Você fala, avisa que a ponte vai cair, mas as pessoas preferem dançar sobre ela enquanto balançam. O segredo, talvez, não seja parar de gritar, mas entender que o alerta em si já é uma vitória contra o esquecimento, mesmo que, no curto prazo, o único troféu seja a incompreensão alheia.

OS SINAIS?