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A Lâmina e o Verso
O historiador relata a argila e o dia,
O rastro frio do que foi e já não é;
Mas o poeta, erguendo a própria fé,
Decifra o universal na poesia.
O tirano teme a viva profecia,
O verso aceso que o sacode em pé;
Pois quem desvenda a alma e o que ela quer,
Ameaça o poder que o mundo guia.
Por isso a morte ronda a voz sagrada,
A mão que esreve a dor é torturada,
Culpada apenas por buscar o belo.
Mas canta o sangue, mesmo sob o grilhão:
A estrofe sobrevive ao pavilhão,
E, a eternidade zomba do cutelo.

OS SINAIS?