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O Atlas das Nossas Máscaras
A gente cresce achando que o mundo se divide em duas caixas bem arrumadinhas: quem está rindo (porque está feliz) e quem está chorando (porque está triste). Mas aí vem a ciência e estraga a nossa simplificação poética, ou, quem sabe, a torna muito mais interessante.
Descobrir que existem cerca de dezenove tipos de sorrisos é como ganhar um mapa secreto do comportamento humano. Pense bem no seu próprio dia. Quantas vezes você já sorriu apenas por educação ao cruzar com o vizinho no elevador? Esse é o sorriso social, protocolar, que serve como lubrificante para a engrenagem da convivência. E aquele sorriso amarelo, meio sem jeito, que a gente dá quando comete uma gafe monumental? Ou o sorriso cínico, irônico, que carrega mais espinhos do que qualquer xingamento?
O Duchenne, lá no século XIX, já separava o joio do trigo ao notar que o verdadeiro sorriso de felicidade, aquele genuíno, enruga os cantos dos olhos com os pés de galinha que a vaidade tenta combater, mas a alegria faz questão de assinar. Os outros dezoito sorrisos são variações do disfarce, escudos protetores que vestimos para navegar pelas complexidades da vida em sociedade.
No fim das contas, o sorriso é menos sobre alegria pura e mais sobre comunicação. É a forma que encontramos de dizer ao outro: "estou aqui", mesmo quando por dentro a gente só queria um abraço ou um momento de silêncio.

OS SINAIS?