O Canto das Lágrimas
Deixe que caiam.
Não segure a enchente que transborda os olhos.
Há séculos tentam nos convencer
de que o nosso teto é o chão,
de que o nosso horizonte é a cerca,
de que o nosso nome é silêncio.
Eles nos querem pequenos.
Dobrados pelo peso da escassez.
Amansados pela rotina da dor.
Temem a nossa altura,
temem o clarão que irrompe
quando a gente descobre
que nasceu para iluminar,
e não para obedecer.
Mas choro não é derrota;
é a alma lavando a armadura.
Cada lágrima que escorre
é semente regada na contracorrente,
prometendo que, amanhã,
o que era cinza há de florir
em rebeldia e luz.
Léo Pajeú Léo Bargom Leonires
Enviado por Léo Pajeú Léo Bargom Leonires em 24/09/2026
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