@leopajeuleobargomescritores @leobargom @leopajeu
O relógio do mundo bate à mesma hora.
As túnicas mudaram de tecido,
mas o peso do cetro e da espada continua o mesmo.
Nos gabinetes frios,
a toga e a cruz celebram acordos silenciosos,
enquanto lá fora a multidão repete o eco
daqueles que lavam as mãos.
Dizem que o passado foi enterrado,
mas a história é um tecido costurado às pressas
onde os fantasmas sempre encontram frestas para voltar.
Eles voltam nos decretos que sufocam o grito,
no silêncio cúmplice dos palácios,
na mentira que se veste de verdade incontestável
para legitimar o sacrifício dos justos.
Contudo, há algo que escapa aos cálculos do poder:
nenhum império consegue algemar a aurora.
Mesmo que a noite pareça eterna
e os tribunais decretem o fim da esperança,
a terra guarda na raiz a memória do fogo.
A justiça pode até calar na praça,
mas a semente, teimosa,
rompe o asfalto do esquecimento.

OS SINAIS?