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O amanhã nunca chega limpo. Ele sempre traz consigo o rescaldo das nossas escolhas diárias, dos algoritmos que nos afagam e das mentiras que preferimos acolher porque soam mais confortáveis do que a dura claridade dos fatos.
Vivemos uma era em que a luz é anunciada em grandes cartazes de neon, mas o que ela ilumina é apenas o vazio. Promete-se o paraíso, entrega-se o labirinto. E o povo, esse personagem coletivo cansado, sobrecarregado pelas lutas cotidianas, embebido em crenças cegas e desinformações perfeitamente empacotadas, acaba por estender os braços à própria sombra.
Há um conforto perigoso na penumbra. Na penumbra, os monstros têm o formato que a nossa imaginação desejar, e os culpados por nossos males estão sempre a um clique de distância. A confusão virou o novo habitat natural. Nela, não é preciso pensar; basta reagir. O grito substitui o argumento, e a sombra, aconchegante e cega, passa a ser defendida com unhas e dentes contra qualquer raio de sol que ouse revelar a bagunça que fizemos.
Despertar para um novo dia exige coragem. Exige abrir os olhos e aceitar que a luz, muitas vezes, dói antes de aquecer. Enquanto preferirmos o abraço morno da escuridão confortável, continuaremos tropeçando nas nossas próprias certezas fabricadas.

OS SINAIS?