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Há algo profundamente incômodo em assistir a alguém que escolhe, conscientemente ou não, a ingenuidade conveniente. Não sabemos bem as intenções por trás dessa postura, se é cálculo frio ou mera autodefesa malfadada, mas o efeito é imediato: soa falso, não vem do coração.
O que mais impressiona é a facilidade com que essa pessoa se entrega. Ela não resiste; pelo contrário, deixa-se governar pelo ódio como quem aceita um sedativo confortável. É o puro ópio da ilusão. Um entorpecente diário que entope a mente de certezas fáceis e inimigos imaginários. Para sustentar esse estado, veste-se de invenções mirabolantes, criando narrativas que justificam o ressentimento.
Vivemos hoje em dia um verdadeiro culto à Caverna de Platão. A pessoa está ali, diante de nós, com os olhos abertos, mas hibernando para a realidade. Vê tudo, comenta tudo, opina sobre tudo, mas o que enxerga são apenas sombras projetadas na parede da própria mente. Prefere o conforto escuro da ilusão à claridade incômoda da verdade. E, no fim, o maior perigo de quem habita a caverna por vontade própria é esquecer que o sol existe lá fora.

OS SINAIS?