@leopajeuleobargomescritores @leobargom @leopajeu
Não há o abismo escuro da queda livre,
nem o estrondo da tempestade que desaba.
A distimia é um inquilino silencioso
que não arromba a porta:
ele simplesmente puxa uma cadeira
e senta-se no canto da sala,
o dia todo,
todos os dias.
O sol brilha lá fora,
eu sei.
As cores estão no catálogo do mundo,
mas os meus óculos embaçaram por dentro.
Não é tristeza de chorar no travesseiro;
é um cansaço nas pálpebras da alma,
um peso leve,
uma corpulência de pluma de chumbo.
Levantar da cama é um tratado de paz
assinado em letra miúda.
Escovar os dentes exige a gravidade
de quem move um planeta.
As pessoas dizem: "Apenas anime-se",
como quem pede a um relógio parado
que decida voltar a girar por puro capricho.
Mas eu sigo.
Com o passo marchar-sem-rumo,
carregando a minha própria neblina particular,
aprendendo a ser leve
mesmo pesando toneladas por dentro.

OS SINAIS?