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Existe um mal-entendido terrível sobre a dor: a gente costuma achar que ela precisa fazer barulho. Esperamos o grito, o choro copioso, o desmoronamento completo para validar o sofrimento alheio, ou o nosso próprio. Mas a distimia não faz barulho. Ela opera no registro do silêncio, no tom monótono dos dias que se arrastam sem pressa de acabar.
Quem tem distimia crônica vive em um estado de baixa rotação permanente. Não é aquela depressão que te algema à cama sem forças para respirar; é pior, de um jeito sutil. É conseguir trabalhar, pagar as contas, responder às mensagens com um "tudo bem" protocolar, sorrir na piada do colega de escritório, mas sentir que tudo isso acontece através de um vidro fosco. A vida passa do outro lado da vidraça, enquanto você assiste de dentro, anestesiado pelo próprio tédio de existir.
O mais exaustivo na distimia é a invisibilidade. Como você funciona, ainda que no limite do modo de economia de energia, o mundo ao redor acha que você é apenas "quieto", "pouco sociável" ou "preguiçoso". Ninguém percebe o esforço hercúleo que é existir quando a bateria interna nunca passa dos quinze por cento. Tomar banho exige a energia de escalar o Everest; fazer uma escolha simples no supermercado parece uma decisão geopolítica.
Com o tempo, você se acostuma com o cinza. Ele vira a cor padrão da sua mobília mental. Você aprende a convidar a apatia para o café da manhã e a rir da própria inércia, porque, afinal, se a cura total às vezes parece um horizonte inalcançável, aprender a carregar a pluma de chumbo sem deixar que ela te esmague já é, por si só, um ato diário de pura resistência.

OS SINAIS?