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Olhar para as próprias mãos costuma ser um exercício de estranhamento. Sob a pele, há cálcio que já foi estrela, ferro que resistiu a eras de fogo, e uma colônia silenciosa de bactérias que nos lembra a nossa mais pura humildade biológica. Passamos metade da vida tentando nos equilibrar na corda bamba do tempo, como se fôssemos feitos de cristal imortal.
Mas, conversando com o espelho, ou com os próprios pensamentos, a ficha cai. Nós não viemos para a Terra para fazer acrobacias eternas. A vida não é um número de circo onde a queda é um fracasso definitivo; ela é uma caminhada. Uma trilha curta, pontuada por bilhões de anos de preparação cósmica e apenas algumas décadas de passos reais.
Quando aceitamos que somos pó, ar e tempo, o peso dos ombros diminui. A linha reta não exige malabarismos sobre-humanos; exige apenas que a gente siga em frente, sentindo o chão sob os pés e aceitando a beleza efêmera de caminhar.

OS SINAIS?