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Há um erro perigoso em celebrar o fim de uma batalha como se fosse o fim da guerra. A eleição passou, os resultados foram proclamados, mas a estrutura do ódio não se desfaz com o fechar das urnas. O extremismo não desaparece; ele apenas recua para a sombra.
Neste exato momento, enquanto a vida parece retomar a normalidade, articulações continuam sendo feitas em silêncio. Em gabinetes, encontros informais e tabernas, o ressentimento é alimentado. O fascismo funciona como uma serpente peçonhenta que se recolhe após dar o bote: a quietude não é paz, é estratégia de espera.
Revestido de discursos morais ou de uma falsa passividade, o projeto de intolerância aguarda a primeira brecha da desatenção coletiva. Achar que o perigo passou é o primeiro passo para cair na próxima armadilha. A democracia não exige apenas o voto no dia da eleição; exige vigilância permanente todos os dias depois dela. Ainda estamos em perigo.

OS SINAIS?